domingo, 3 de junho de 2012

Espanha à beira do Colapso Bancário

Espanhóis não têm dinheiro para cobrir rombo

Risco de estouro mesmo está na Espanha
, além da conjunção astral dos infernos na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia e no Brasil.
É uma mistura de tsunami com marolinha. Não sobra ninguém. Todos estão sendo afetados, direta ou indiretamente.

Leiam a matéria inteira de Vinicius Torres e vejam que “os espanhóis não têm dinheiro para cobrir rombo dos bancos”. Só dinheiro de fora, salva a Espanha. Será que vai dinheiro do Brasil?

Conjunção astral dos infernos

Folha – Vinicius Torres Freire – 03 de junho de 2012.

Notícias ruins sobre EUA, China, Brasil e Europa dão susto, mas risco de estouro mesmo está na Espanha
SEXTA-FEIRA foi um daqueles dias de manchetes fáceis para nós, jornalistas. Havia notícias ruins de toda parte e todas aparentemente podiam ser jogadas num balde só: o mundo econômico se esboroa.

Parecia uma conjunção astral do gosto do demo. Menos empregos nos EUA. O Brasil cresce nada. A indústria da China parece parar. O governo conservador britânico parece cada vez mais bem-sucedido em sua política de asfixiar o país. A Europa brinca de roleta-russa pela quarta vez desde a grande crise de 2008.

Isso para ficar nos casos maiores.
Mas quantas novidades havia no jorro de informações ruins da sexta? A notícia (novidade) relevante mesmo não era lá muito "pop": trata-se da enrolação espanhola e europeia a respeito do que fazer de um (uns?) banco espanhol quebrado.
A reação extremamente negativa aos números ruins do emprego nos EUA em parte se deve ao exagero de quem dizia que a economia deles se recuperara de vez (erro que vem sendo cometido faz quatro anos).

Além de agora obviamente prejudicada pela baderna europeia, a recuperação americana é capenga.
O salário real médio cai ano após ano. Metade da queda do desemprego desde o pico da crise se deveu a desalento ou aposentadorias. Cada vez mais gente tem emprego precário. As empresas lucram porque contratam pouco, pagam mal e seguram investimentos. O mercado imobiliário ainda vive nas profundas de uma depressão. Todo mundo se pergunta o que será das reduções de impostos que vencem no ano que vem. Recuperação firme?

Números ruins na China são sempre tão assustadores quanto difíceis de entender. Para resumir a história, muita gente acha que a economia chinesa apenas faz um "pouso suave" (o crescimento cai da casa de uns 9% para a de uns 7,5%).
Mas há gente séria, embora por ora um tanto extravagante, para quem a China pode descer ao ritmo de 5% ao ano, "crise" lá. De menos incerto e mais relevante foi que o governo chinês como que avisou ao mundo que não fará um pacotão de estímulo econômico como o de 2008, que ajudou a evitar o pior.

Quanto ao Brasil, nós fomos para as cabeças das manchetes mundiais de sexta por "contágio noticioso", pois o mundo ainda é muito ignorante sobre o que se passa aqui, tendo prestado mais atenção ao país devido à conjunção de más novas (ou más velhas) da sexta-feira. Nós estávamos cansados de saber que vamos devagar quase parando.
É claro que não sobrará ninguém para atirar uma corda no fundo do poço se todas as maiores economias entrarem simultaneamente em compasso de cágado. Ruim, mas ainda assim não há grande novidade aí.

De novo e urgente temos a Espanha.

O dinheiro foge aos borbotões do país, em recessão cada vez mais profunda e à beira do colapso bancário, que vai causar pandemônio mundial se de fato acontecer.

Os espanhóis não têm dinheiro para cobrir o rombo de seus bancos.
Querem ajuda incondicional da União Europeia. Alemanha, União Europeia e Banco Central Europeu dizem, por enquanto, "não vem que não tem": sem supervisão externa, sem socorro.
Enquanto UE, Alemanha e BCE discutem com a Espanha, o pânico esfria o planeta, como em maio de 2010, maio de 2011 e setembro de 2011, ocasiões em que a Europa brincou à beira do abismo.

sábado, 2 de junho de 2012

Músicas que ficam

Concerto para Clarinete, de Mozart

Outro dia estava voltando para casa e, ao ligar o rádio do carro, ouvi o som de um clarinete e uma música conhecida. Era a Rádio Cultura FM e a música era o Concerto para Clarinete de Mozart. O trânsito era intenso, mas a música era suave.

Ouçam esta gravação:

Mozart: Clarinet Concerto: I. Allegro (Audio Only)




Eu tinha este disco em vinil. Quando doamos todos os discos de vinil, ele foi junto. Agora devo comprar um em CD. Por enquanto,tenho um cd com solo de clarinete de Brahms.

Posso ter ficado sem o disco, mas a música e o som do clarinete ficaram na minha vida.
Quando eu tinha nove a dez anos de idade, a convite de um colega de escola, entrei como aluno numa escola de música, chamada Filarmônica 30 de Junho, fundada em 1958, lá em Serrinha, no sertão da Bahia.
Com o passar do tempo, o professor e regente da Filarmônica, entregou-me um clarinete e mandou-me estudar muito. Estudei muitos anos, vi que não tinha “ouvido”, mas tinha muita vontade de aprender.

Quando mudamos para São Paulo, em 1970, voltei a estudar com meus irmãos e também com o professor Leonardo Righ, italiano muito simpático que tocava ou no municipal ou na estadual, não me lembro. Só lembro que ele morava na Avenida Francisco Morato. Este era muito bom músico!

Como “quem sabe faz e quem não sabe bate palmas”, com o tempo, eu parei de tocar o clarinete e fiz assinatura da OSESP, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, onde vamos mensalmente usufruir da qualidade das músicas e da orquestra.

Ainda tenho o clarinete francês que comprei do professor Righ. Tem um valor sentimental imenso.

Ultimamente tenho comprado livros sobre os compositores e músicos, mas a alegria principal é ir aos concertos. Quanto a ser músico, esta é minha prioridade para a próxima encarnação, se existir.

Mesmo sem saber tocar, nada impede que possamos admirar uma boa música, um bom conjunto musical e ler um bom livro. Cada um é bom em alguma coisa ou até em várias coisas.

Para que as música fiquem na nossa memória, é preciso que existam a Rádio Cultura FM, as salas de concertos, as orquestras, os músicos, os professores e os alunos.
Por exemplo, todo domingo pela manhã, quando vamos caminhar no Parque Villa Lobos, ficamos ouvindo na Rádio Cultura, o programa “Pergunte ao Maestro” de João Galindo. Ele é ótimo! Se não me engano, começa às 10 e vai até às 11 horas.
Perguntem à Cultura!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Ternura das Flores

Paulo Moura e seu Clarinete

Outro dia recebi mensagem falando das Azaléias.São flores comuns como as Mariazinhas, mas que eu ainda não tinha mostrado neste blog.
Na Vila Madalena é comum encontrar Azaléias plantadas nas calçadas e nos jardins. Não sei por que nunca mostrei. Mas, ao receber a mensagem, prometi que mostraria as Azaléias da Vila Madalena e da minha rua.

Vejam que bonitas:



Começamos o mês de junho destacando as azaléias.
Mas eu andei tirando muitas fotos neste mês de maio. Vejam, por exemplo, estas frutas da Paineira. A mesma Paineira que eu mostrei as flores. Agora o pé está seco e cheio de frutos.
Sabem para que servem estes frutos? Para alimentar os periquitos e maritacas. Quando eles comem as sementes, o fruto libera algo parecendo “algodão”, que saem flutuando pelas ruas.

Vejam os frutos da Paineira:


Agora que vocês já viram as azaléias e a paineira,
voltamos para as flores que estão tomando conta
de nossa cidade e da Vila Madalena.

O majestoso pé de Ipê Rosa:


A dona da casa, que lavava a garagem enquanto eu parava o carro para fotografar, ficou olhando preocupada. Não sabia se eu era um corretor de imóvel querendo fotografar a casa para depois vendê-la às construtoras, ou se era algum ladrão. Afinal, nossa cidade anda cheia de ladrões.
Mal sabia ela que era apenas um admirador de pés de Ipê.

Ao ver-me tirando a foto do pé de Ipê, a senhora idosa olhou-me com ternura e disse-me que tinha plantado a árvore há vários anos. Assim, resolvi procurar o nosso grande Paulo Moura para tocar seu clarinete e alegrar nossa vida. Sem perder a ternura, jamais.

Ternura, de K-Chimbinho, com Paulo Moura



Vejam também esta beleza de música, tocada por Paulo Moura.
Chorando Baixinho





Procurem os discos de Paulo Moura, eles são ótimos!

Democracia no BB

Posse dos Eleitos

Hoje é dia de festa no Banco do Brasil, na Cassi e na Previ, além dos aposentados.
Hoje é dia de posse dos eleitos. Depois de meses de campanhas disputadíssimas, o pessoal toma posse em Brasilia.

Vamos ver se agora a diretoria do Banco do Brasil aproveita e NOMEIA algumas mulheres para a diretoria do Banco. São mais de 40 mil funcionárias e não existe uma só mulher como diretora do Banco.

Bom trabalho a todos que tomam posse hoje
e parabéns ao Banco do Brasil!


Diretores e conselheiros eleitos na Cassi e Previ tomam posse nesta sexta
Contraf – 01/06/12

Acontecem nesta sexta-feira, dia 1º de junho, as solenidades de posse dos novos diretores e conselheiros da Cassi e da Previ, eleitos pelos funcionários do Banco do Brasil.

Pela manhã, às 10h, assume no auditório do Sede 3 do BB, em Brasília, a nova diretora de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes da Cassi, Miriam Fochi, e demais integrantes da chapa vencedora.

À tardinha, às 17h, será empossado o novo diretor de Seguridade da Previ, Marcel Barros (foto), e demais participantes da chapa vitoriosa, no auditório da AABB, no Rio de Janeiro.

Miriam e Marcel têm história de luta no movimento sindical.
Ambos participaram da gestão anterior da Contraf - CUT (2009-2012). Ela foi secretária de Assuntos Jurídicos e ele, secretário-geral. Miriam também foi diretora do Sindicato dos Bancários de Brasília. Marcel foi presidente do Sindicato dos Bancários de Bragança Paulista, diretor da Fetec-SP e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Além de amplo apoio do movimento sindical, os eleitos contaram com o apoio de diversas associações de funcionários e aposentados do BB.

"A posse conclui um intenso processo democrático, onde os funcionários e aposentados do BB acreditaram nas propostas que têm a cara e a marca da participação dos bancários para proteger as suas conquistas e avançar rumo a novos benefícios para a melhoria da sua qualidade de vida", destaca William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

CASSI

As eleições da Cassi ocorreram entre os dias 2 e 13 de abril. A Chapa 1 - Cuidando da Cassi, apoiada pela Contraf-CUT e pela maioria das entidades sindicais, obteve 35,1% dos votos válidos, contra 25,2% da Chapa 5 - Uma nova Cassi e 22,9% da Chapa 3 - Responsabilidade e Experiência.

Santander - Notícias Relevantes

Quem está escondendo informações?

Como não tenho o hábito de ler O Globo, agradeço mais uma vez aos amigos que me repassam as matérias. Desta vez, quem me alertou foi uma importante jornalista de São Paulo, além de amiga de longa data.

Vejam os detalhes das negociações entre Santander, Banco do Brasil e Bradesco.
Mais uma vez não são fornecidos por Sonia Racy, mas, pelo jornal O GLOBO.

Muita água ainda vai rolar até o final desta novela. Vejam o Globo:

Santander recusa condições do BC
e negócio com Bradesco é suspenso


Segundo executivos, banco venderia participação, mas não sairia do Brasil

O GLOBO – ECONOMIA - Publicado: 31/05/12 - 22h24 - Atualizado: 31/05/12 - 22h24 – Aguinaldo Novo

SÃO PAULO — As negociações que estavam em andamento para a fusão de Bradesco e Santander
não prosperaram depois que a instituição espanhola recusou as condições do Banco Central (BC)para aprovar o negócio.


Nesse tipo de operação, é praxe que o BC tenha conhecimento prévio dos termos de um eventual acordo.
Iniciada há cerca de dois meses, a conversa entre os dois bancos foi noticiada pelo GLOBO no domingo passado, quando havia uma expectativa de que a operação pudesse ter continuidade. A informação foi confirmada por quatro executivos diferentes, um deles com cargo no alto escalão de um dos dois bancos e outro com acesso à área de fiscalização do BC.

Segundo esses executivos, a venda de participação da unidade brasileira passou a ser imperativa para a matriz do Santander, em razão do agravamento da crise bancária na Espanha, que tem exigido novos aportes de capital para fazer frente ao aumento da inadimplência. Mas não existiria a intenção de deixar completamente o Brasil, que hoje responde por mais de 30% do resultado global do grupo.
Exigência de aporte no BB impediu negociações

Antes de conversar com o Bradesco,
executivos do Santander também se reuniram
com a direção do Banco do Brasil (BB).

Um profissional de mercado que trabalhou para o BB contou que a primeira proposta levada à mesa foi a compra de uma fatia em torno de 30%, percentual posteriormente elevado para 50%.

Pelo menos dois fatores, no entanto, teriam levado ao fim também as negociações com o BB. O principal seria a necessidade de fazer um novo aporte no BB para bancar a compra, algo que foi descartado pela equipe econômica do governo. Havia também o desejo de que o banco oficial fosse o novo controlador do Santander. Nesse caso, porém, a instituição teria de seguir também o chamado regime jurídico de empresa pública, o que engessaria a administração. Seria necessário fazer concurso, por exemplo, para a contratação de funcionários.

No caso do Bradesco, a operação se daria parte com troca de ações e parte em dinheiro.
Se confirmada, a negociação catapultaria o Bradesco da terceira para a primeira posição no ranking dos maiores bancos de varejo do Brasil, ultrapassando de uma só vez o Itaú Unibanco e o próprio Banco do Brasil. Pelos números de março, Bradesco e Santander, juntos, somariam R$ 1,2 trilhão em ativos e R$ 108,4 bilhões em patrimônio líquido, contra R$ 896,8 bilhões em ativos e R$ 72,5 bilhões em patrimônio, do Itaú Unibanco. Já o BB fechou seu balanço no primeiro trimestre com R$ 1 trilhão em ativos (por ora, é a única instituição latino-americana a atingir esse marca) e R$ 60 bilhões de patrimônio líquido.

Procurados no fim de semana, Bradesco e Santander
divulgaram nota para negar a existência das negociações.
Na terça-feira, quando a negociação já estava suspensa, divulgaram resposta com o mesmo teor à consulta feita pela Comissão de Valores Mobiliários. No dia seguinte, em entrevista ao jornal “Valor”, o presidente do Santander Brasil, o espanhol Marcial Portela Alvarez, disse que a única intenção da matriz seria vender uma fatia entre 1% e 2% para atingir um free float (quantidade de ações em negociações no mercado) mínimo de 25% no Brasil, exigência da BM&Bovespa. O BB também já havia negado a existência das conversas.



Santander - Dinheiro foge da Espanha

Onde se guarda dinheiro?

Nos bancos, logo, os bancos espanhóis estão ficando sem dinheiro
.
Quando falta dinheiro na Matriz, os bancos transferem dinheiro das filiais para a matriz. Correto? Se sim, poderá ou está havendo transferência de dinheiro do Santander Brasil para o Santander em Madri.

Vejam partes da matéria do jornal Valor de hoje:

Os espanhóis, alarmados com a situação terrível de seus bancos,

estão transferindo dinheiro para fora do país no ritmo mais acelerado
desde que esses registros começaram a ser feitos,
segundo mostram números divulgados ontem.

Com crise bancária, Espanha tem fuga recorde de recursos

Valor – 01 de junho de 2012.

Os espanhóis, alarmados com a situação terrível de seus bancos, estão transferindo dinheiro para fora do país no ritmo mais acelerado desde que esses registros começaram a ser feitos, segundo mostram números divulgados ontem.
A Espanha é o próximo país na linha de tiro da crise da dívida da zona do euro, com regiões perdulárias e bancos abalados ameaçando abrir um rombo nas finanças do governo e levando os custos dos financiamentos a níveis que sinalizam a necessidade de socorro.

A Comissão Europeia chegou a oferecer um auxílio direto de um fundo de resgate da zona do euro para recapitalizar os bancos espanhóis e proporcionar mais tempo para o governo reduzir seu déficit fiscal.
Dados do Banco da Espanha, o banco central, mostraram que um total líquido de € 66,2 bilhões foram enviados para fora do país em março, o maior número desde que os registros começaram em 1990. O número compara-se a uma entrada líquida de € 5,4 bilhões em março de 2011. No ano, as saídas esbarram nos € 100 bilhões.

Os espanhóis estão preocupados com a saúde de seus bancos,

abalados pela exposição que eles têm ao crash imobiliário de 2008,
e estão enviando dinheiro para contas de depósito a prazo em economias mais fortes do norte da Europa. O número sobre a fuga de capital antecede a nacionalização do quarto maior banco espanhol, o Bankia, em maio, quando ficou claro que ele não conseguiria arcar com perdas resultantes de investimentos ruins no setor imobiliário, que se combinaram com a recessão.

Ou seja, o quadro mais recente pode ser ainda pior, mas ainda não há dados disponíveis.
O governo de centro-direita da Espanha contratou auditores independentes para avaliar a saúde de seu sistema financeiro, num esforço para restabelecer a confiança em seus bancos. Ele acrescentou que uma solução doméstica para a crise bancária do país seria melhor que um resgate pela UE.

Algumas fontes em Madri estimam que o total necessário para resgatar os bancos com problemas hoje seria de € 50 bilhões, incluindo os € 19 bilhões para o Bankia e recursos para outras "cajas". A questão é de onde virá o dinheiro.
O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, aumentou a pressão por um sistema unificado de garantias para os depósitos bancários na zona do euro, afirmando que o continente precisa de novas ferramentas para enfrentar uma corrida bancária diante da crise de dívida.

O principal executivo da Comissão Europeia, Olli Rehn, alertou que a área da moeda comum pode se desintegrar sem mecanismos mais fortes de enfrentamento da crise e de disciplina fiscal mais firme.
O duplo alerta foi feito em um momento em que as preocupações sobre os bancos espanhóis e a sobrevivência da Grécia na zona do euro levaram a moeda comum para o menor nível em dois anos sobre o dólar, e provocaram uma corrida por ativos considerados mais seguros como os bônus franceses - que tiveram o rendimento de 10 anos caindo para a mínima desde a criação do euro.
O presidente do BCE, Mario Draghi, pediu que os líderes europeus esclareçam sua visão sobre a moeda única rapidamente, alertando o Parlamento Europeu de que o banco central não pode preencher o vácuo pela falta de decisões políticas. "Nós vamos evitar fuga de bancos solventes. O dinheiro dos clientes será protegido se construirmos esse fundo de garantia dos depósitos europeu. Isso vai assegurar que os clientes sejam protegidos", disse Draghi, defendendo um sistema de supervisão e regulação bancária para a União Europeia.

Outra autoridade do BCE, Joerg Asmussen, membro do conselho executivo, afirmou em Frankfurt que os cerca de 25 bancos mais importantes na zona do euro deveriam ser supervisionados por um regulador supranacional, ao invés de autoridades somente nacionais.
Aos parlamentares, Draghi disse que a crise financeira "aprofundou a aversão ao risco de uma maneira dramática". "Eu peço que todos os governantes tenham isso em mente, porque é melhor errar por excesso no começo do que por escassez", afirmou Draghi, citando o fracasso de reguladores nacionais em avaliar corretamente as necessidades dos bancos Dexia e Bankia.

O tom dramático das autoridades da UE e do BCE aumentam a pressão para que a Alemanha retire sua oposição a medidas de socorro mais firmes, antes de uma reunião nos dias 28 e 29 de junho que pode ser o ponto de virada na crise da zona do euro.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Santander, Celso Ming e a Espanha

O problema dos bancos espanhóis

Confesso que depois que divulguei a matéria do jornal Valor, onde o presidente do Santander Brasil foi tão enfático ao dizer que o banco não estava à venda, fiquei bastante otimista e acreditando na “palavra do presidente”.

Mas, ao ler esta matéria de Celso Ming no Estadão de hoje, fiquei pensando:
Será que a situação da Espanha é tão grave que pode afetar o Santander no Brasil?

Mas a matéria está muito bem fundamentada. Será que Celso Ming está errado?
Será que não é melhor esperar a reunião do presidente do Santander Brasil com os Sindicatos brasileiros para falar sobre a situação do Banco?

Por vias das dúvidas, reproduzo abaixo a matéria de Celso Ming.


A Espanha sob pressão
31 de maio de 2012 | 21h15 – Estadão - Celso Ming

O problema dos bancos da Espanha exige soluções até agora não admitidas, que podem mudar o rumo e a qualidade das intervenções.
Enquanto a busca de uma saída para a Grécia fica adiada para depois das eleições de 17 de junho, a Espanha afunda na areia movediça. Esta quarta-feira foi mais um dia de agonia, de perda de depósitos nos bancos e de queda do valor dos títulos soberanos.
O presidente do governo, Mariano Rajoy, parece vacilar. É que todas as soluções que poderia propor esbarram em fortes obstáculos.

A encrenca original da Espanha não tem a ver com o excesso de despesas públicas – casos de Grécia e Portugal. Tem a ver, sim, com a enorme fragilidade dos bancos, que se atiraram ao financiamento imobiliário no início da primeira década deste século – para aproveitar a abundância de recursos que veio com a derrubada dos juros logo após a emissão do euro. O boom hipotecário gerou procura artificial de mão de obra e elevou o consumo. Com a eclosão da crise, a bolha imobiliária explodiu e os preços dos imóveis caíram abaixo do valor das hipotecas (saldo do financiamento). A economia entrou em recessão, veio o desemprego (24% da força de trabalho, hoje), a arrecadação caiu e, como o Tesouro teve de bancar o seguro-desemprego, as despesas saltaram. E isso levou a dívida para níveis perigosos.

A Espanha está na mesma situação da Irlanda há três anos.

Tem de salvar os bancos, atolados em encrencas mais sérias do que simples colapsos de caixa. Assumiram riscos de crédito maiores do que poderiam suportar. Seus problemas são de insuficiência patrimonial. Têm de ser urgentemente capitalizados. A conta, avaliada entre 60 bilhões e 70 bilhões de euros, pode ser muito mais alta.

Não se fala mais em deixar algum banco quebrar.
Seria o início de uma catástrofe perfeita. O tombo da primeira peça do dominó derrubaria as demais.
Também não há mais a hipótese de obrigar os atuais acionistas a subscrever capital novo. Alguns bancos precisam de mais capital do que seu atual valor de mercado (caso do Bankia).

Não se pode obrigar o já sangrado Tesouro da Espanha a fazer maciças transfusões de capital.
Esticaria a corda do déficit público para além do suportável. Rajoy sugeriu que a recapitalização dos bancos fosse feita por meio de emissão de títulos públicos, proposta que teria duas consequências. Primeira, puxaria o endividamento para níveis perigosos. Segunda, como os bancos não precisam de mais títulos (de mais ativos), mas de mais dinheiro vivo, o despejo desses bônus no mercado implicaria sua desvalorização e novo esticamento dos juros. Se o Banco Central Europeu (BCE) recomprasse esses títulos, estaria financiando despesas do Tesouro da Espanha – algo inadmissível. Esse precedente obrigaria o BCE a recomprar títulos públicos a cada operação de resgate de banco.

Outra opção que parece contar com o apoio da Comissão Europeia seria levar um fundo europeu a subscrever a elevação de capital dos bancos, o que esbarra no veto da Alemanha. Mas pode ser a saída inevitável, com efeitos importantes.

Grandes bancos espanhóis seriam controlados pelo bloco. Seriam bancos públicos, mas com controle partilhado pelos sócios do euro e, obviamente, com supervisão também da área do euro. Mas não seria este um novo passo decisivo rumo à integração, desta vez financeira?